terça-feira, 31 de maio de 2011

Algumas considerações

Acho que algumas pessoas estão muito equivocadas sobre o pensam sobre mim. Ai hoje eu te ri. Eu não estou possuído pelo maligno, não estou com o diabo no corpo, não preciso ir pra igreja ( seja qual religião for ) para provar isso. Deus não está só nas igrejas, está em todos os lugares. Muito menos estou revoltado ou transtornado, quem convive comigo realmente no dia-a-dia vê isso. Eu brinco, eu rio, eu converso com meus amigos normalmente. Acho que quem deveriam chamar para ir na igreja é meu pai. Esse ninguém chama né?. Já vieram me falar que ele botou uma vagabunda na casa da minha mãe. E isso não é de agora. As minhas férias todinhas de Dezembro e Janeiro, eu fiquei sem falar com ele. Desde esse meses até hoje nunca mais troquei uma palavra com ele. Passei Natal, Ano Novo e meu Aniversário sem falar um "oi". Eu avisei que jamais o aceitaria com outra pessoa, se ele quisesse me ter como filho ainda. Pensa que ele se importou com isso? Quatro meses depois do falecimento da minha mãe, eu chego em casa, num domingo, a noite e o safado estava com uma vagabunda dentro de casa. E o canalha teve a cara de pau, de ainda falar que queria apresentar a vagabunda para mim. Sai possesso de casa, minha raiva era tanta que quebrei 2 chapas de vidro tempero no chão do corredor. Deveria era ter quebrado um na cabeça dele e um no dela. O pilantra ainda recebe uma pensão da minha mãe. Safado não deu o mínimo valor para ela e ainda recebe por isso. Essa pensão era pra ser dividida entre mim e ele, só que eu não entrei com o pedido, confiando nesse crápula. Ele não deveria receber um centavo que viesse da minha mãe. Até agora ele tem mandado a pensão integral para eu poder sobreviver aqui, isso porque minha madrinha briga com ele para ele mandar o dinheiro. Porque ele já avisou que por ele só mandava metade. Não duvido nada que ele só mande a metade aqui por diante, pois é direito meu. Não tenho medo das represálias dele. Não vou me deixar calar, para não sofrer consequências dele. Quero mesmo é que todos saibam quem ele verdadeiramente é, e que saibam mesmo da vida dele ( ele sempre detestou que as pessoas da rua soubessem da vida dele e que comentassem sobre ele ).

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dura realidade

É duro ter que seguir a vida sozinho, depois de ter sido acostumado a ter todos por perto. Essa caminhada não é fácil. Acordar todas as manhãs e não encontrar aquela pessoa que tanto amava, não poder ligar para ela e poder disser o quanto a ama e quanto ela faz falta. O desânimo é inevitável. Pessoas são insubstituíveis sim. Por mais que umas possam tentem assumir este lugar, não é a mesma coisa mesmo. Tem dias que dá vontade de se trancar num quarto escuro, ficar só deitado, sem sair para comer ou beber água. Vou seguindo em frente até quando aguentar, minha motivação é me formar e dedicar essa conquista a minha mãe. Mas ao mesmo tempo que penso nela para seguir e continuar batalhando, penso no dia da minha formatura, que ela não estará ali para me ver formado. A tristeza que irei sentir, será maior que minha alegria. Nem minha mãe, nem meu pai ( dele não faço a mínima questão ). Aquilo que eu sempre sonhei, virou pesadelo.

domingo, 29 de maio de 2011

O valor de cada pessoa

Hoje eu vou esclarecer coisas que eu nunca falo para ninguém em relação a doença da minha mãe. Minha mãe sempre foi muito guerreira e reservada, não gostava de falar da vida dela para ninguém. Mesmo que ela estivesse vivendo num inferno, passava para os outros que a vida dela era um paraíso. Não creio que ela ficaria brava comigo por agora neste blog estar contando os segredos mais íntimos meus e dela. Ela sabe porque eu estou fazendo e com certeza me apoiaria e não me recriminaria. Eu não estou fazendo isso só por fazer, tudo tem um motivo, não estou sendo infantil como alguns da minha própria família pensam. Minha mãe descobriu que tinha um caroço no seio em 2008. Ela tinha medo de contar o que havia descoberto para qualquer pessoa que fosse. Nessa época morávamos na casa ao lado da loja do meu pai, só que ela não era o que é hoje. Tinhamos apenas um quarto, e eu dormia no sofá de madeira ( que existe até hoje ) na sala. A casa não tinha divisão, para passar de um cômodo tinha que passar pelo outro. A sala ficava do lado do quarto onde minha mãe dormia e as portas eram todas do tipo sanfonada. Um noite eu já estava deitado no sofá quase dormindo, e minha mãe brigava com meu pai no quarto. Foi nesse dia que ela revelou para ele no meio na briga que estava com um caroço no seio e que iria morrer, pra ele poder ficar feliz que logo ele iria ficar viúvo, e poderia arrumar outra mulher, porque aquela que estava do lado dele ele não dava valor. Eu deitado no sofá ouvi ela dizer tudo aquilo. As lágrimas caíram dos meu olhos, eu fiquei sem reação nenhuma, fiquei com medo também. Não quis que ela soubesse que eu tinha escutado o que ela dissera. Eu sabia do que ela estava falando, já tinha 16 anos, não era mais criança, mas naquele momento me senti tão impotente como uma criança recém-nascida. Depois daquele dia minha vida nunca mais foi a mesma. Aquele tormento me perseguiu até o ultimo dia de vida da minha mãe. Meu pai como sempre fora, não abdicou da sua vida para incentivar minha mãe a procurar um médico. No máximo pediu para a minha tia Marley falar com ela e convencer a ela ir no médico. Foi em vão. Até minha tia Marley que minha mãe amava de paixão, não convenceu-a de ir ao medico. Minha mãe chegou até acreditar que era um simples furúnculo, o que infelizmente não era. Sim minha mãe tinha câncer. Não tenho vergonha de dizer sua doença, e nem ela teve depois de um tempo, é claro, daquele choque de perder os cabelos devido ao tratamento de quimioterapia. Saia na rua e nem ligava para o que os outros iam falar. Minha mãe demorou muito a procurar um medico, para fazer os exames e começar a se tratar. Esse foi seu maior erro. E o meu maior erro por ter sido tão impotente e tão medroso de não ter levado ela a força no medico, de não ter pressionado ela a ir, ter implorado que ela fosse. Eu queria fingir que aquilo não estava acontecendo, talvez no meu mundo fantasioso que criei para fugir dos problemas que atormentavam minha vida. Fui muito omisso mesmo. Mas não porque eu queria, porque a minha dor era muito grande e só eu sei como. Foi só Julho de 2009 que minha mãe resolveu se tratar. O caroço no seu seio já estava grande, e ela devia já sentir muitas dores. Pediu que minha tia Marley a acompanhasse a consultas no medico. Não deu outra. O exames apontaram um nodulo  cancerígeno em estagio 2. O medico deu um encaminhamento para que ela procurasse um hospital que tratasse de câncer. Minha mãe foi então falar com ( não posso citar mais o nome)  para que esta falasse com uma amiga que era enfermeira no hospital da lagoa, para tentar conseguir abrir um prontuário para minha mãe poder se tratar naquele hospital. Todos nós sabemos como é a saúde no nosso país. Para conseguir uma vaga minha mãe poderia ter que esperar muito tempo. E o caso da minha mãe já era grave, não podia esperar muito tempo. Sou muito grato a está enfermeira, que não vou revelar o nome também. Mas gostaria muito de poder revelar o nome dela, porque pessoas assim merecem reconhecimento. Assim como outras mais pessoas que ajudaram muito minha mãe nesse momento difícil, mas que não querem seus nomes envolvidos nessa historia. Da pessoa que ela esperava mais e devia esperar mesmo, meu pai, pouco fez por ela, e quando fazia não sei se fazia por mal vontade. Nós morávamos em Nilópolis, e o hospital ficava na Lagoa. Era longe, quem mora lá sabe. Minha mãe nas primeiras consultas tinha que pegar dois ônibus para chegar no hospital, sempre acompanhada da minha tia Marley ou da ( não estou autorizado a citar seu nome ). Minha mãe nunca me deixou ir junto com ela. Ela queria me poupar de todo seu sofrimento, por vezes mentia pra mim. E se eu insistisse ela brigava comigo. Meu pai mesmo tendo dois carros na garagem, não fazia a mínima questão de abandonar seu serviço, para levar minha mãe ao médico. Ele podia fazer isso, meu pai tinha empregados na época, mas não queria deixar a loja nas mãos dos empregados, sempre desconfiou de todos, nunca largou a loja na mão de nenhum deles, sem que eu ou minha mãe estivesse na loja. Minha mãe mesmo doente ajudava meu pai na loja pela manhã ( horário que eu estava na escola ) e a tarde também as vezes. Quando seu estado físico piorou, eu que ficava na loja para ele, porque ela estava muito debilitada devido a quimioterapia. Confesso que nunca gostei de ficar na loja para ele, ele queria que eu aprendesse aquela profissão, mas eu não tinha vontade, dizia que não queria ser igual a ele. Isso o deixava furioso.

Estou escrevendo este post hoje para agradecer e mostrar que eu sei o valor de cada uma delas para mim e para minha mãe. Pode parecer que eu não dou valor a essas pessoas por não falar muito para cada uma o quanto ela foi e é importante para mim, mas aqui dentro do meu coração eu amo cada uma delas.

Agradeço muito a minha tia Marley por ter ficado do lado da minha mãe, em cada consulta ao médico, em cada fila de exame que ela ficou com minha mãe, a cada manhã cedo que ela teve que acordar para acompanhar minha mãe, a cada momento feliz que ela fez minha mãe passar,, a cada conversar, a cada sorriso. Palavras são muito pouco para descrever a importância que minha tia teve e tem na vida da minha mãe e na minha. Eu te amo muito mesmo

Agradeço ao meu tio Edmar por todas as vezes que ele defendeu minha mãe, quando todos se calaram, e nem meu pai foi capaz de defende-lá, quando minha avó faleceu, e o filho Elcio ( odeio ele por esse motivo ) humilhou minha mãe, não dando valor o que ela fez por ele e por todos na casa da minha avó. Agradeço também pela vez em Araruama em que ele fez o mesmo por minha mãe defendendo ela do meu pai bêbado que queria avançar no pescoço da minha mãe. Nesse dia , esse que eu ainda não sei porque chamo de pai, abandonou eu e minha mãe em Araruama e veio embora para Nilópolis. Isso minha mãe doente já e ele sabendo disso. Agradeço por todas as vezes em que ele acordou cedo, que deu um jeito no seu trabalho para tentar mudar seus horários, para poder levar minha mãe ao hospital de carro. Já que meu pai não podia largar o trabalho dele para leva-la, e eu não sabia dirigir na época também. Obrigado tio por tudo, eu te amo muito também.

Agradeço as três pessoas que eu não posso citar o nome, por tudo que fizeram por mim e pela minha mãe, e que ainda fazem. Sei que com essas posso contar a qualquer momento. Foram elas que abdicaram, do trabalho, do estudo, enfim da vida delas, para ficar com a minha mãe nas consultas ao medico e nos últimos momentos de sua vida no hospital. São elas que estão seu ao meu lado para lutar comigo contra aquelas pessoas que querem o meu mal. Amo vocês três.

Agradeço a todas as amigas da minha mãe que ajudaram não tão intensamente como as pessoas acima, mais foram muito importantes para ela nesse momento difícil da vida dela.  Dessas amigas acho que posso citar a Meri, a Dona Jura, a Margarida. Todas essas ajudaram muito minha mãe. Seja dando força a ela ou ajudando de outra maneira. Eu adoro todas vocês. Me perdoem se eu esqueci de alguém.

Dou valor a todas essas pessoas, não quero nunca ser injusto com elas, só quero que ela aceitem o que estou fazendo, e não fiquem me criticando a cada post escrito. Não tenho razão nenhuma para reclamar dessas pessoas. Acho que todos já perceberam de quem eu tenho mais mágoa e raiva. Meu pai pode não ter matado minha mãe diretamente, mas indiretamente eu o culpo por ela ter morrido e por ele ter acabado com a minha vida.

sábado, 28 de maio de 2011

É isso o que eu penso!!

Onde está a liberdade de expressão? É ruim chegar ao século XXI e vermos que a censura ainda existe na nossa sociedade. Falar da própria vida é uma coisa criticada por muitas pessoas.
_Por que que eu estou falando da minha vida pra todo mundo? se perguntam.
_ Por que você não procura um psicólogo para conversar? Tenho certeza que não preciso disso.
Confesso que esperava receber enormes criticas pelos textos que escrevo e exponho para todos que queiram ver. Porém esperava essa crítica por partes de outras pessoas, não dessas ( que agora sou obrigado a ter que esconder o nome e que dizem que estou completamente errado fazendo isso que estou fazendo). É decepcionante e lamentável, mas enfim é assim que vai acontecer daqui para frente. Não vou fazer a vontade deles e parar de escrever, vou acreditar no que eu penso e sinto. Vai defazar um pouco da minha vida, porque cada personagem foi importante e teve seu papel na construção dessa historia de vida. Não posso nem usar pseudônimos para essas pessoas, porque elas não querem que envolva elas em nada, mesmo com nomes ocultos ( pelo simples motivo de não quererem a vida exposta para todo mundo, o que para mim não faz diferença ). Hoje eu estou muito mal, não tenho mais inspiração para escrever mais nada, mas amanhã com certeza estarei aqui escrevendo sobre o que eu quiser e tiver vontade de falar, doa a quem doer.

Esclarecimento

 Devido a algumas reclamações, infelizmente, não poderei mais citar o nome de algumas pessoas. Mesmo elas terem vivido intensamente em minha vida, elas nao gostaram de ter suas vidas expostas neste blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Por que criar esse blog??

Bom não sou muito expert nesse negocio de blog, mas, acho que ele vai poder me ajudar a expressar um pouco o que sinto, já que a única pessoa que eu tinha liberdade e desinibição para contar tudo não está mais comigo. Com minha mãe eu podia contar tudo, ela me entendia muito bem, e não são todas as mães que são assim. O que com meu pai era/é bem diferente. Não que eu não amasse meu pai, mas a minha ligação com a minha mãe era bem mais forte, dizem né que o filho homem é mais agarrado com a mãe, no meu caso era verdade. Onde ela ia eu queria estar junto, quando pequeno principalmente, o que não mudou muito com a adolescencia. Isso deixava meu pai enciumado as vezes. Dizia que eu não gostava de andar com ele. Não que eu não gostasse de andar com ele, mas entre andar com ele e andar com minha mãe, era com ela que eu me sentia bem em estar junto.Quando os dois brigavam, eu sempre ficava do lado da minha mãe, isso o deixava enfurecido. Meu pai sempre foi muito ausente para comigo, ele não tinha um diálogo de pai para filho, creio que achava , que só por me sustentar, pagar escola particular, comprar roupas, e outra coisas mais bastava, que já estava cumprindo seu papel de pai. E isso que ele jogava na minha cara e da minha mãe quando brigava com ela, por minha causa. Eu na maioria das vezes ficava quieto. Eu sempre ficava muito nervoso quando eles brigavam, chorava, tinha medo que eles se separassem. Não queria perder minha familia. Minha mãe sofreu muito também nas mãos do meu pai. Ela sempre me confessava que tudo aquilo que ela aguentava era por minha causa, porque senão ela ja tinha abandonado tudo e teria ido embora. Eu sempre chorava quando ela me dizia isso, sentia muito medo de perder minha mãe. E não foi pouca coisa que ela sofreu não. Até agressão física ela sofreu do meu pai. E num caso desses eu pude presenciar. Foi terrível.


Não me lembro a data exata, mas eu devia estar com uns 10 ou 11 anos. Era um sábado. Estava em casa com minha mãe e meu pai estava trabalhando na loja ( ele é vidraceiro ). Morávamos numa casa alugada, onde minha avó paterna morou durante anos, a vidraçaria ficava do outro lado da rua onde nós moravamos. Nesse dia uma vizinha nossa da avenida ao lado, a Meri grande amiga da minha mãe, convidou ela acho que para um churrasco na casa dela, nao me lembro muito bem desse detalhe. Enfim, minha mãe resolveu sair, ir fazer a unha. Me deixou em casa, como sempre de costume, ela sabia que eu me comprtava bem, ficava assistindo televisão. Quando meu pai chegou de um serviço na rua, ja era umas quatro horas da tarde. Logo foi perguntando onde minha mãe estava. Respondia que ela tinha saido para fazer a unha. Ele não gostou nada nada. Entrou no quarto, pegou uma roupa e foi para o banheiro tomar banho. Depois saiu sem dizer para onde ia. Quando minha mãe chegou, umas seis da tarde perguntou se meu pai nao havia chegando ainda, respondi que sim, que tinha tomando banho e tinha saido umas quatro e meia. Minha mãe foi ate o guarda roupa ver a roupa que ele tinha pego para usar. Ela sabia cada pecinha de roupa de cada um de nós tinha. Era uma exímia dona de casa Meu pai não dava dinheiro para minha mãe nessa época, ela tinha que "roubar" dele para ter algum dinheiro, para comprar as coisinhas dela. Mas na maioria das vezes ela pensava em mim e gastava o unico dinheirnho dela comigo. Nesse dia ela me levou para comprar x-tudo na barraquinha da padaria "Primor" ( ela adorava o lanche de lá, e eu também). Fomos e trouxemos o lanche para comer em casa, ela gostava mais assim. Estava friozinho nesse dia. Fomos e voltamos logo. Chegamos em casa, ligamos a televisão e comemos nosso lanche. Passavam-se as horas e nada do meio pai chegar, minha mãe ja estava furiosa. Chamei ela para ir dormir,pois sabia que ela iria brigar com ele quando chegasse, minha mãe nunca deixava para o outro dia, tinha que dizer tudo que sentia na hora. Ela obviamente, não foi. Mandou que somente eu fosse dormir, mas eu também nao fui, estava muito angustiado para ir dormir. Meia noite e meia, está foi a hora que ele chegou. Estavamos na sala ainda vendo tv. Chegou completamente bêbado com os olhos vermelhos, parecia estar possuído pelo demônio ou ter usado algum tipo de droga. Nunca tinha visto ele daquele jeito. Minha mãe o perguntou:
_ Isso são horas de você chegar?
Respondeu com um palavrão, e retrucando onde ela estaria a tarde.
Eu como sempre me meti no meio, implorava pra eles nao brigarem, chorava, sentia muita angustia no peito. As vezes até meu choro irritava minha mãe, mandava eu não chorar, que eles não estavam brigado, só conversando. O que sabia que não era verdade. Ele me ironizava para minha mãe:
_ ai SEU FILHO já está chorando.

Não sei o que deu em minha mãe que nesse dia, ela só o fez esta pergunta e deixou que ele fosse dormir, devia esta prevendo que se brigasse com ele poderia acontecer coisa pior devido ao seu estado psiquico.
Nos continuamos na sala, minha mãe acalmando meu choro em seu colo. Infelizmente algo inusitado aconteceu. A irmã da vizinha, da Meri, foi chamar minha mãe no portão aquele horário, minha mãe nao quis atender, falou para eu ficar em silêncio. Meu pai ouviu ela chamar. Ai que aquela horrivel cena que jamais vou esquecer aconteceu. Meu pai saiu do quarto furioso, gritando com minha mãe:
_Vai atender a sua amiguinha!!

_ Vai Lucia!!
_ Não vou Gininho, fica calado.
Ele veio pra cima da minha mãe com a mão levantada para bater nela. Eu entrei na frente dele, implorando para que ele não batesse nela:

_Não bate na minha mãe, pai!! eu soluçava de chorar.
Minha mãe caiu sobre o sofá pra fugir do tapa que ele ia dar no rosto dela.
Tivemos que correr para o quarto para o quarto dela e trancar a porta, porque senão seriamos, e não estou exagerando, espancados por ele. Ele batia na porta para a gente abir. Eu e minha mãe choravamos muito, abraçados na cama. Ela pedia a Deus para acalmar ele. Depois de bater muito ele se cansou. Ouvimos ele indo para o meu quarto que fica no corredor a frente. Desde esse dia meu sentimento por meu pai nunca mais foi o mesmo. Minha mãe não se separou do meu pai depois disso, ela era dependente financeiramente dele, infelizmente, e pensava como que iria me criar sem dinheiro, que iria passar necessidade. Só por isso ela se humilhava a viver com meu pai. Ela não tinha uma família unida, a mãe a abandonou cedo ( minha avó materna não valia nada, sacaneou com minha mãe ), sendo criada pela avó que vivia em um sitio em Bangu, o pai nunca foi presente também, bati nela quando era pequena, o irmão e as irmãs era distantes e ela nao ia muito com a cara deles, das irmãs principalmente ( da Simone mais ainda). Meu tio Luiz era o único que ela tinha um vínculo, mas ele tinha a familia dele, não poderia ajuda-la. Não restava outra opção, ela tinha que ficar com aquele homem com quem casará ainda nova, com viten e dois anos. Esse foi um dos milhares de acontecimentos, que podem ajudar a mostrar como se formou minha personalidade. Esse meu jeito retraido, por vezes angustiado, temeroso. Creio que esses fatos me deixaram sequelas irreversiveis. Traumas que jamais serão curados. Continuarei contando em outros posts mais sobre tudo que ja vivi e também tudo que vivo atualmente, por enquanto é só!! Não escrevo na intenção de aparecer ( mesmo disponibilizado o meu blog para as outras pessoas ) o que pode parecer controversio, mas juro pela alma da minha mãe, que eu tanto amei, que não é essa minha intenção. Leia quem quiser. Uns podem vir até a me zuar , outros me criticar, por estar falando da minha vida particular, mas não vejo mal nenhum nisso, já que a vida é minha. Escrevo apenas para desabafar um pouco.