domingo, 29 de maio de 2011

O valor de cada pessoa

Hoje eu vou esclarecer coisas que eu nunca falo para ninguém em relação a doença da minha mãe. Minha mãe sempre foi muito guerreira e reservada, não gostava de falar da vida dela para ninguém. Mesmo que ela estivesse vivendo num inferno, passava para os outros que a vida dela era um paraíso. Não creio que ela ficaria brava comigo por agora neste blog estar contando os segredos mais íntimos meus e dela. Ela sabe porque eu estou fazendo e com certeza me apoiaria e não me recriminaria. Eu não estou fazendo isso só por fazer, tudo tem um motivo, não estou sendo infantil como alguns da minha própria família pensam. Minha mãe descobriu que tinha um caroço no seio em 2008. Ela tinha medo de contar o que havia descoberto para qualquer pessoa que fosse. Nessa época morávamos na casa ao lado da loja do meu pai, só que ela não era o que é hoje. Tinhamos apenas um quarto, e eu dormia no sofá de madeira ( que existe até hoje ) na sala. A casa não tinha divisão, para passar de um cômodo tinha que passar pelo outro. A sala ficava do lado do quarto onde minha mãe dormia e as portas eram todas do tipo sanfonada. Um noite eu já estava deitado no sofá quase dormindo, e minha mãe brigava com meu pai no quarto. Foi nesse dia que ela revelou para ele no meio na briga que estava com um caroço no seio e que iria morrer, pra ele poder ficar feliz que logo ele iria ficar viúvo, e poderia arrumar outra mulher, porque aquela que estava do lado dele ele não dava valor. Eu deitado no sofá ouvi ela dizer tudo aquilo. As lágrimas caíram dos meu olhos, eu fiquei sem reação nenhuma, fiquei com medo também. Não quis que ela soubesse que eu tinha escutado o que ela dissera. Eu sabia do que ela estava falando, já tinha 16 anos, não era mais criança, mas naquele momento me senti tão impotente como uma criança recém-nascida. Depois daquele dia minha vida nunca mais foi a mesma. Aquele tormento me perseguiu até o ultimo dia de vida da minha mãe. Meu pai como sempre fora, não abdicou da sua vida para incentivar minha mãe a procurar um médico. No máximo pediu para a minha tia Marley falar com ela e convencer a ela ir no médico. Foi em vão. Até minha tia Marley que minha mãe amava de paixão, não convenceu-a de ir ao medico. Minha mãe chegou até acreditar que era um simples furúnculo, o que infelizmente não era. Sim minha mãe tinha câncer. Não tenho vergonha de dizer sua doença, e nem ela teve depois de um tempo, é claro, daquele choque de perder os cabelos devido ao tratamento de quimioterapia. Saia na rua e nem ligava para o que os outros iam falar. Minha mãe demorou muito a procurar um medico, para fazer os exames e começar a se tratar. Esse foi seu maior erro. E o meu maior erro por ter sido tão impotente e tão medroso de não ter levado ela a força no medico, de não ter pressionado ela a ir, ter implorado que ela fosse. Eu queria fingir que aquilo não estava acontecendo, talvez no meu mundo fantasioso que criei para fugir dos problemas que atormentavam minha vida. Fui muito omisso mesmo. Mas não porque eu queria, porque a minha dor era muito grande e só eu sei como. Foi só Julho de 2009 que minha mãe resolveu se tratar. O caroço no seu seio já estava grande, e ela devia já sentir muitas dores. Pediu que minha tia Marley a acompanhasse a consultas no medico. Não deu outra. O exames apontaram um nodulo  cancerígeno em estagio 2. O medico deu um encaminhamento para que ela procurasse um hospital que tratasse de câncer. Minha mãe foi então falar com ( não posso citar mais o nome)  para que esta falasse com uma amiga que era enfermeira no hospital da lagoa, para tentar conseguir abrir um prontuário para minha mãe poder se tratar naquele hospital. Todos nós sabemos como é a saúde no nosso país. Para conseguir uma vaga minha mãe poderia ter que esperar muito tempo. E o caso da minha mãe já era grave, não podia esperar muito tempo. Sou muito grato a está enfermeira, que não vou revelar o nome também. Mas gostaria muito de poder revelar o nome dela, porque pessoas assim merecem reconhecimento. Assim como outras mais pessoas que ajudaram muito minha mãe nesse momento difícil, mas que não querem seus nomes envolvidos nessa historia. Da pessoa que ela esperava mais e devia esperar mesmo, meu pai, pouco fez por ela, e quando fazia não sei se fazia por mal vontade. Nós morávamos em Nilópolis, e o hospital ficava na Lagoa. Era longe, quem mora lá sabe. Minha mãe nas primeiras consultas tinha que pegar dois ônibus para chegar no hospital, sempre acompanhada da minha tia Marley ou da ( não estou autorizado a citar seu nome ). Minha mãe nunca me deixou ir junto com ela. Ela queria me poupar de todo seu sofrimento, por vezes mentia pra mim. E se eu insistisse ela brigava comigo. Meu pai mesmo tendo dois carros na garagem, não fazia a mínima questão de abandonar seu serviço, para levar minha mãe ao médico. Ele podia fazer isso, meu pai tinha empregados na época, mas não queria deixar a loja nas mãos dos empregados, sempre desconfiou de todos, nunca largou a loja na mão de nenhum deles, sem que eu ou minha mãe estivesse na loja. Minha mãe mesmo doente ajudava meu pai na loja pela manhã ( horário que eu estava na escola ) e a tarde também as vezes. Quando seu estado físico piorou, eu que ficava na loja para ele, porque ela estava muito debilitada devido a quimioterapia. Confesso que nunca gostei de ficar na loja para ele, ele queria que eu aprendesse aquela profissão, mas eu não tinha vontade, dizia que não queria ser igual a ele. Isso o deixava furioso.

Estou escrevendo este post hoje para agradecer e mostrar que eu sei o valor de cada uma delas para mim e para minha mãe. Pode parecer que eu não dou valor a essas pessoas por não falar muito para cada uma o quanto ela foi e é importante para mim, mas aqui dentro do meu coração eu amo cada uma delas.

Agradeço muito a minha tia Marley por ter ficado do lado da minha mãe, em cada consulta ao médico, em cada fila de exame que ela ficou com minha mãe, a cada manhã cedo que ela teve que acordar para acompanhar minha mãe, a cada momento feliz que ela fez minha mãe passar,, a cada conversar, a cada sorriso. Palavras são muito pouco para descrever a importância que minha tia teve e tem na vida da minha mãe e na minha. Eu te amo muito mesmo

Agradeço ao meu tio Edmar por todas as vezes que ele defendeu minha mãe, quando todos se calaram, e nem meu pai foi capaz de defende-lá, quando minha avó faleceu, e o filho Elcio ( odeio ele por esse motivo ) humilhou minha mãe, não dando valor o que ela fez por ele e por todos na casa da minha avó. Agradeço também pela vez em Araruama em que ele fez o mesmo por minha mãe defendendo ela do meu pai bêbado que queria avançar no pescoço da minha mãe. Nesse dia , esse que eu ainda não sei porque chamo de pai, abandonou eu e minha mãe em Araruama e veio embora para Nilópolis. Isso minha mãe doente já e ele sabendo disso. Agradeço por todas as vezes em que ele acordou cedo, que deu um jeito no seu trabalho para tentar mudar seus horários, para poder levar minha mãe ao hospital de carro. Já que meu pai não podia largar o trabalho dele para leva-la, e eu não sabia dirigir na época também. Obrigado tio por tudo, eu te amo muito também.

Agradeço as três pessoas que eu não posso citar o nome, por tudo que fizeram por mim e pela minha mãe, e que ainda fazem. Sei que com essas posso contar a qualquer momento. Foram elas que abdicaram, do trabalho, do estudo, enfim da vida delas, para ficar com a minha mãe nas consultas ao medico e nos últimos momentos de sua vida no hospital. São elas que estão seu ao meu lado para lutar comigo contra aquelas pessoas que querem o meu mal. Amo vocês três.

Agradeço a todas as amigas da minha mãe que ajudaram não tão intensamente como as pessoas acima, mais foram muito importantes para ela nesse momento difícil da vida dela.  Dessas amigas acho que posso citar a Meri, a Dona Jura, a Margarida. Todas essas ajudaram muito minha mãe. Seja dando força a ela ou ajudando de outra maneira. Eu adoro todas vocês. Me perdoem se eu esqueci de alguém.

Dou valor a todas essas pessoas, não quero nunca ser injusto com elas, só quero que ela aceitem o que estou fazendo, e não fiquem me criticando a cada post escrito. Não tenho razão nenhuma para reclamar dessas pessoas. Acho que todos já perceberam de quem eu tenho mais mágoa e raiva. Meu pai pode não ter matado minha mãe diretamente, mas indiretamente eu o culpo por ela ter morrido e por ele ter acabado com a minha vida.

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